Balneário camboriú (sc) praia central projeto de proteção costeira e alimentação artificial da praia – page 2 – skyscrapercity grade 6 electricity project

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A proposta de alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú, que promete triplicar a faixa de areia, chegou à fase de projeto executivo. Nesta quarta-feira, equipes técnicas da Fatma, responsável pelo licenciamento ambiental, vão se reunir com a prefeitura para alinhar o andamento do processo. O orçamento previsto para o engordamento da faixa de areia, sem contar a nova urbanização da praia, é de R$ 82 milhões a R$ 105 milhões. O cálculo levou em conta três orçamentos, de duas empresas belgas e uma dinamarquesa – todas elas com experiência em obras similares ao redor do mundo. O projeto mantém a escolha da jazida, que fica a 15 quilômetros da costa e foi determinada a partir de um estudo contratado pela prefeitura em 2012.

O engordamento será feito por aterro hidráulico. Uma draga vai retirar a areia da jazida, e o material será levado até a faixa de areia por tubulação. Máquinas vão “empurrar” a areia em direção ao mar e fazer o nivelamento. O alargamento deverá se dar em etapas, do Pontal Norte até a Barra Sul.

O projeto custou pouco mais de R$ 600 mil e foi feito pela empresa Alleanza, de Joinville. O documento, financiado e produzido pela iniciativa privada por meio do Instituto +BC, foi doado à prefeitura para que viabilize a obra. Os cálculos matemáticos do aterro ficaram a cargo da dinamarquesa DHI. Embora a obra seja trabalhosa, o prazo de conclusão é rápido: de quatro a seis meses, segundo o prefeito Fabrício Oliveira (PSB). Nos próximos dias a prefeitura vai se posicionar quanto ao cronograma de trabalho, que ainda depende da liberação das licenças ambientais e da captação de recursos.

Nos últimos meses, o prefeito buscou apoio junto ao governo do Estado e levou o projeto ao presidente Michel Temer (PMDB). A mais recente aproximação foi com o BNDES, que é uma das opções de financiamento. A prefeitura pretende quitar o possível empréstimo com a arrecadação vinda da outorga de espaços públicos na Praia Central, como quiosques. Desde o ano passado o município possui a gestão plena das praias, mas ainda não regulamentou a forma como será feita a cobrança.

A justificativa da prefeitura para viabilizar o projeto é a perda de espaço na faixa de areia. Imagens de satélite mostram que houve um avanço significativo do mar nos últimos anos. A falta de sol por causa das sombras dos edifícios da orla na faixa de areia foi destaque nacional recentemente.

O Instituto +BC, entidade que financiou o projeto executivo do alargamento da faixa de areia, é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) formada por 15 empresários de Balneário Camboriú. O construtor Nivaldo Pinheiro, que coordena o grupo, disse que a iniciativa de doar o projeto à prefeitura é para agilizar o processo e garantir que houvesse qualidade.

O projeto executivo custou R$ 660 mil, bancados pelo instituto. Há interesse do empresariado local em garantir que a obra saia do papel, e que seja executada com qualidade para evitar problemas como a mudança no perfil da praia – torná-la mais perigosa, como ocorreu em Copacabana, pode ser fatal para o turismo em Balneário Camboriú.

O alargamento da faixa de areia da Praia Central, em Balneário Camboriú, que teve o projeto executivo entregue esta semana ao prefeito Fabrício Oliveira (PSB) pelo Instituto +BC, é considerado vital pela prefeitura. Imagens feitas com o auxílio de satélite mostram que o mar avançou consideravelmente. Na Barra Sul, a faixa de areia reduziu 43 metros em um período de sete anos – o que acendeu o sinal de alerta.

A maneira como o mar se comporta na praia depende de uma série de fatores, entre eles o tipo de areia. Por isso a escolha da jazida é considerada ponto crucial no projeto de alargamento da faixa de areia. Na Barra Sul, por exemplo, o aterro feito há mais de uma década tem claramente uma areia diferente do restante da praia.

Eliane Colla, presidente da CDL, diz que a associação quer ter voz ativa na definição do novo modelo de urbanização da praia. Uma das propostas inclui diversificar a oferta de alimentos na beira do mar, e reduzir o número de barraquinhas de milho e churros. Hoje, são perto de 160 em menos de seis quilômetros de praia.

Embora a prefeitura não admita que a sombra dos prédios altos sobre a areia da praia é um dos motivadores para o alargamento da Praia Central, o fato é que a obra vai aumentar o período de sol em Balneário Camboriú. Entidades ambientais chamam atenção para que o modelo de cidade seja pensado de forma que edifícios ainda mais altos não tragam novas sombras para a areia.

O Instituto Pró-Natura, ONG ambiental de Balneário Camboriú, chama atenção para a necessidade de Balneário Camboriú levar em conta o aumento da carga turística que deverá vir junto com o engordamento da Praia Central. A cidade deve estar preparada para uma maior demanda de abastecimento de água e saneamento, para que não haja perda de qualidade de vida.