Johan huizinga – wikipédia, a enciclopédia livre electricity dance moms

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Johan Huizinga nasceu na cidade de Groninga, filho do professor de fisiologia Dirk Huizinga e sua esposa Jacoba Tonkens, que faleceu apenas dois anos após o nascimento do filho. Sua família fazia parte de uma longa descendência de padres Menonitas, fato que se expressa no forte interesse do autor pelo tema da religiosidade, especialmente em seus trabalhos da juventude. [14 ] [15 ] [16 ]

Em 1902, o então jovem professor de história casa-se com Lady Mary Vincentia Schorer, filha do prefeito de Midelburgo. O casal teve cinco filhos ao longo dos anos 1903 e 1912, entre eles o escritor holandês Leonhard Huizinga. Duas tragédias marcaram a sua vida nesta segunda década do século: em 1914, sua esposa veio a falecer por problemas de saúde, e seis anos mais tarde, o mesmo acontece com seu filho mais velho, Dirk Huizinga. Johan casa-se novamente em 1937 com Auguste Scholvinck, aos sessenta e cinco anos de idade, e ganha sua última filha, Laura Conley-Huizinga, nascida em 1941. [17 ] [18 ]

Em 1942, com a ocupação dos nazistas em Leiden, Huizinga é expulso da cidade e preso pela Gestapo em De Steeg, um pequeno vilarejo na província da Guéldria, residindo na casa de seu colega Rudolph Cleveringa, e vindo a falecer por motivos de saúde apenas algumas semanas antes da derrota do exército alemão e o fim da Segunda Guerra Mundial. Huizinga está enterrado no cemitério da Igreja Reformada de Oegstgeest, na Holanda. [19 ] [20 ] Trajetória acadêmica [ editar | editar código-fonte ]

Huizinga iniciou seus trabalhos acadêmicos em 1891 no campo da linguística comparativa e dos estudos orientais, defendendo sua tese de doutorado sobre literatura sânscrita em 1897, área na qual, a princípio, esperava obter o reconhecimento acadêmico. No entanto, seus interesses pessoais e a influência de seu professor Petrus J. Blok o direcionaram para a História, vindo a se tornar professor nesta disciplina na Escola Superior do Haarlem logo após o doutorado. [21 ] [22 ]

Ainda que fosse professor de história, Huizinga ainda não se considerava um historiador de fato [22 ]. Sua carreira profissional na área iniciou apenas após a sua admissão como professor na Universidade de Groningen em 1905, ocasião para a qual elaborou uma aula inaugural sobre "o elemento estético das representações históricas", tomando posição na acalorada "querela do método" ( methodenstreit) que então mobilizava a historiografia germânica. Neste episódio, Huizinga se mostrou um forte opositor das ideias do historiador alemão Karl Lamprecht. [23 ]

Em 1915, Huizinga é apontado para a cadeira de História Geral na Universidade de Leiden, elaborando e publicando nessa universidade os seus mais reconhecidos trabalhos. Em 1933, assumiu o cargo de reitor na mesma universidade, mantendo-o até o fechamento desta pelas autoridades nazistas em 1942. [24 ] [25 ] [26 ] Recepção das obras [ editar | editar código-fonte ]

Huizinga tornou-se conhecido no meio historiográfico com a publicação, em 1919, de O Outono da Idade Média, livro que logo recebeu traduções para diversas línguas. [27 ] Inicialmente, a obra foi recebida com severas críticas pela academia holandesa [28 ], devido ao aspecto inovador de sua perspectiva sobre a transição de Idade Média para a Idade Moderna, e ao particular uso de fontes históricas para a compreensão do período, focada mais em narrativas literárias e crônicas do que nos documentos oficiais, o que, para a historiografia de seu tempo, comprometeria as bases científicas de seu estudo [29 ]. A aceitação mais ampla do livro ocorreu principalmente a partir da década de 1990, todavia revelando até hoje um caráter ambíguo de apreciação e desconfiança. [30 ] [31 ]

Com a publicação de Nas Sombras do Amanhã (1935) e Homo Ludens (1938), Huizinga tornou-se uma referência para o debate sobre a "crise da Europa", expressando severas críticas e preocupações quanto ao desenvolvimento cultural da civilização moderna. Estas obras fazem parte de um conjunto de publicações sobre o tema que as antecedem, incluindo A Decadência do Ocidente de Oswald Spengler (1918), A Crise do espírito de Paul Valéry (1919), O Mal-estar na Civilização de Sigmund Freud (1930) e A Rebelião das Massas de José Ortega y Gasset (1930), entre outras. [32 ] Obras [ editar | editar código-fonte ] Originais em holandês [ editar | editar código-fonte ]